ESCOLA SESI - 8º ANO
http://www.istoe.com.br/reportagens/147903_O+FUTURO+DA+COMIDA
O futuro da comida
O crescimento da população e o aquecimento global forçam a ciência a criar soluções para garantir o suprimento de alimentos
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O futuro da comida
O crescimento da população e o aquecimento global forçam a ciência a criar soluções para garantir o suprimento de alimentos

Para uma pessoa que adquire todos os
alimentos de que precisa no supermercado, é difícil imaginar que a
grande variedade de cereais, legumes, frutas e carnes disposta nas
prateleiras corre o risco de desaparecer. Mas, num planeta que alcançará
sete bilhões de habitantes neste ano – e deve chegar a nove bilhões
até 2050 –, a abundância de comida é meramente ilusória. No mundo todo,
diariamente são extintas inúmeras espécies vegetais, os mares possuem
cada vez menos peixes, e a criação extensiva de gado é um dos grandes
motores do aquecimento global.
Enquanto uma população maior gera demanda por mais comida, o aquecimento do planeta exige novas variedades de plantas comestíveis, resistentes a novas pestes e condições climáticas. O mesmo ocorre com as raças de animais de que dependemos para obter proteínas – principalmente bois, cabras e porcos. Além disso, só recentemente o homem começou a domesticar nossa última fonte alimentar selvagem: os peixes. Algo urgente ,considerando as estimativas de que, mantido o ritmo atual da pesca, em 50 anos não haverá mais o que tirar do mar.
Especialistas acreditam que, para garantir nutrientes a uma população 28,5% maior daqui a 40 anos, seria preciso dobrar a produção atual de alimentos. Quanto aos vegetais, o desafio é armazenar amostras do maior número possível de variedades alimentícias, a fim de fazer cruzamentos que garantam plantas mais produtivas e resistentes. Foi exatamente a combinação entre seleção e cruzamento que permitiu que alcançássemos as grandes produções atuais. Ao mesmo tempo, essa prática fez com que muitos tipos tenham se perdido. Na China, por exemplo, 90% das espécies de trigo que existiam há um século simplesmente sumiram. “A variabilidade genética é fundamental para garantir o futuro da humanidade”, disse à ISTOÉ Cary Fowler, diretor-executivo da Fundação Global para a Diversidade de Safras.
Enquanto uma população maior gera demanda por mais comida, o aquecimento do planeta exige novas variedades de plantas comestíveis, resistentes a novas pestes e condições climáticas. O mesmo ocorre com as raças de animais de que dependemos para obter proteínas – principalmente bois, cabras e porcos. Além disso, só recentemente o homem começou a domesticar nossa última fonte alimentar selvagem: os peixes. Algo urgente ,considerando as estimativas de que, mantido o ritmo atual da pesca, em 50 anos não haverá mais o que tirar do mar.
Especialistas acreditam que, para garantir nutrientes a uma população 28,5% maior daqui a 40 anos, seria preciso dobrar a produção atual de alimentos. Quanto aos vegetais, o desafio é armazenar amostras do maior número possível de variedades alimentícias, a fim de fazer cruzamentos que garantam plantas mais produtivas e resistentes. Foi exatamente a combinação entre seleção e cruzamento que permitiu que alcançássemos as grandes produções atuais. Ao mesmo tempo, essa prática fez com que muitos tipos tenham se perdido. Na China, por exemplo, 90% das espécies de trigo que existiam há um século simplesmente sumiram. “A variabilidade genética é fundamental para garantir o futuro da humanidade”, disse à ISTOÉ Cary Fowler, diretor-executivo da Fundação Global para a Diversidade de Safras.

VISIONÁRIO
“A variabilidade da comida é o futuro da humanidade”, diz Cary Fowler
O projeto mais ousado de Fowler, porém, é a busca global pelas últimas espécies selvagens dos alimentos que consumimos hoje, missão que deve durar dez anos. “Elas são a maior, a melhor e a última fonte de diversidade”, diz. A versão brasileira da arca da comida de Fowler é a Rede de Recursos Genéticos Vegetais, uma ramificação da Plataforma Nacional de Recursos Genéticos, formada por universidades e institutos de pesquisa e encabeçada pela Embrapa. A rede possui 214 mil amostras de 600 espécies agrícolas importantes. “Graças a ela, temos a chance de ter uma variedade muito maior de alimentos no prato no futuro”, diz Patrícia Bustamante, líder do programa.

GARANTIA
DNA de animais é congelado para conservar espécies brasileiras
Cientistas das universidades de Oxford (Inglaterra) e Amsterdã (Holanda) trabalham no desenvolvimento de carne artificial. Estudos apontam que a técnica reduziria em 96% a emissão de gases do efeito estufa em comparação com a criação de gado. Além disso, exigiria de 7% a 45% menos energia e apenas 1% da terra e 4% da água necessárias para obter o mesmo volume do alimento produzido convencionalmente. “Se mais recursos forem investidos, a fabricação comercial poderia começar em cinco anos”, diz Hanna Tuomisto, uma das autoras do estudo. Para obter a aparência de bife, outros cinco anos seriam necessários. Poucas quantidades foram feitas até agora e a textura ainda é parecida com a de carne moída.

ESTOQUE
Patrícia Bustamante, da Embrapa, cuida de 214 mil amostras de sementes
A obtenção de carne de peixe, porém, ainda
está numa fase anterior. Só nos últimos 50 anos a piscicultura (ou
aquicultura) se tornou uma indústria de verdade. A produção mundial
passou de menos de um milhão de toneladas em 1950 para 52,5 milhões em
2008. Hoje, metade dos frutos do mar consumidos no mundo vem de
criações. A maior parte do salmão, por exemplo, sai de fazendas de
países como o Chile, que, embora não tenha esse animal entre as espécies
nativas, possui condições climáticas ideais para a sua criação. A carne
deles, porém, tem menos nutrientes do que a dos animais selvagens e um
aspecto acinzentado. Frequentemente, os criadores adicionam um produto
químico à ração dada aos peixes para dar a coloração alaranjada
semelhante à natural.
Outra tendência para os próximos anos, a criação de espécies vegetarianas e de água doce, como a tilápia e a perca-gigante, deve predominar em relação à de carnívoros como o atum e o salmão, que exigem espécies retiradas do mar para compor sua dieta. “A criação de áreas de proteção marinha poderia ainda trazer de volta 30% das populações, o que aumentaria consideravelmente o número desses predadores”, disse à ISTOÉ Paul Greenberg, autor do livro “Four Fish” (sem tradução no Brasil), um dos trabalhos mais abrangentes sobre a questão pesqueira.
Outra tendência para os próximos anos, a criação de espécies vegetarianas e de água doce, como a tilápia e a perca-gigante, deve predominar em relação à de carnívoros como o atum e o salmão, que exigem espécies retiradas do mar para compor sua dieta. “A criação de áreas de proteção marinha poderia ainda trazer de volta 30% das populações, o que aumentaria consideravelmente o número desses predadores”, disse à ISTOÉ Paul Greenberg, autor do livro “Four Fish” (sem tradução no Brasil), um dos trabalhos mais abrangentes sobre a questão pesqueira.

CRIAÇÃO
A maioria do salmão consumido no mundo é de cativeiro


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